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Mulheres na Direção | Ataque dos Cães (The Power of the Dog, 2021)

2/16/2022

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Por Marília Duarte

Ataque dos Cães (The Power of the Dog) é o tipo de filme que é melhor experimentado quando você tem muito pouca informação sobre a história. Ele vai crescendo à medida que a narrativa se avança e seu clímax é arrebatador de tão bom.
No centro da história está o fazendeiro Phil Burbank (Benedict Cumberbatch) que vive em Montana com seu irmão George (Jesse Plemons). Imediatamente é evidente que esses dois têm personalidades muito diferentes. Phil é dominante, grosseiro e brutal, enquanto George é uma alma gentil e sensível. Os dois são próximos, chegam a dormir na mesma cama na casa do rancho, mas o vínculo é desfeito após um encontro com uma viúva, Rose (Kirsten Dunst), dona de um restaurante que os fazendeiros visitam um dia, e o filho dela Peter (Kodi Smit-McPhee).
Há uma tensão imediata entre Phil e Peter, que muitas vezes ajuda sua mãe no restaurante, começando com Phil insultando as flores de papel de Peter que o levam às lágrimas. Como o destino quis, George se apaixona por Rose e os dois se casam. Enquanto Peter está estudando em outra cidade e George está em viagens de negócios, é Rose quem tem que suportar o peso das provocações e brutalidade de Phil.
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O filme é um drama rebuscado por excelência, com pouca ação no primeiro ato, mas há camadas e mais camadas sendo desenvolvidas sutilmente. Jane Campion escreveu e dirigiu de forma magistral o filme baseado no romance de Thomas Savage. Há um clima inquietante e tensão permeando cada minuto que toma conta de você até o último segundo.
​As atuações são excelentes em todos os sentidos. Começando com Cumberbatch, um refinado ator inglês que, à primeira vista, é uma escolha realmente estranha para interpretar um cowboy americano durão. No entanto, o fato de ele parecer “inadequado” para o papel realmente funciona a favor do personagem.
É tão bom ver a talentosa Kirsten Dunst de volta em um papel de destaque. Ela encarna perfeitamente o papel de uma mãe fragilizada e a maneira como ela desmorona sob os caminhos aterrorizantes de Phil é dolorosamente palpável. Kodi Smit-McPhee está absolutamente fantástico aqui em uma performance sutil, mas impactante. Sua figura esbelta é parte integrante da história, pois ele se torna alvo de piadas para Phil e os trabalhadores do rancho, afinal Peter é um jovem queer e o preconceito sofrido por ele é cruel. Jesse Plemons tem menos tempo de tela aqui, mas ele é um ator que sempre entrega uma performance memorável.
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Eu amo como o filme joga com nossas expectativas de muitas maneiras. O machismo de Phil é tão exagerado como se ele estivesse tentando impressionar Rose e Peter, mas a maneira como ele praticamente possui uma devoção ao falecido cowboy Bronco Henry, cuja sela fica como um santuário em seu celeiro, é muito reveladora. A cena em que ele limpa o couro com tanto carinho também é muito reveladora. Aprecio a maneira sutil como as coisas são reveladas no devido tempo, uma desconstrução de partir o coração da masculinidade tóxica por uma lente feminina e perspicaz.
A estética visual é meticulosamente trabalhada de tal forma que contam uma história em cada detalhe. No início do filme, há uma cena de papel sendo pendurado no quarto de Peter enquanto ele faz aquelas flores de papel, então, mais tarde, no terceiro ato, vemos uma cena de couro de vaca fatiado pendurado, que mais tarde é usado como corda. O paralelo visual é absolutamente brilhante.
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A diretora de fotografia, Ari Wegner, fez um trabalho lindo e elegante, cheio de pistas visuais secretas que informam a narrativa. O cenário da Montana da década de 1920, com suas vastas terras abertas, montanhas e lagos é impressionante. (o longa foi filmado na Nova Zelândia, mas Jane Campion e sua equipe conseguiram transformar perfeitamente em um cenário de terras norte-americanas). Jonny Greenwood complementa o visual com sua trilha sonora sinistra e melancólica.
Ataque dos Cães é um dos dramas psicológicos mais potentes dos últimos anos, com uma narrativa envolta de camadas de mistério. Um filme quieto, mas tremendo, com subtextos que engrandecem a história que está sendo contada através da lente de Jane Campion.

O filme está indicado em 12 categorias no Oscar 2022, entre elas a de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Benedict Cumberbatch), Melhor Atriz Coadjuvante (Kirsten Dunst), Melhor Ator Coadjuvante (Kodi Smit-McPhee e Jesse Plemons) e Melhor Fotografia.

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A diretora Jane Campion e os atores Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst no lançamento do filme no Festival de Veneza

Trailer legendado:

FICHA TÉCNICA:
Direção: Jane Campion
Roteiro: Jane Campion; baseado no livro de Thomas Savage
Elenco: Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Kodi Smit-McPhee, Jesse Plemons, Thomasin McKenzie, Frances Conroy, Peter Carroll, Sean Keenan, George Mason, Ramontay McConnell, Cohen Holloway, Alice Englert
Produção: Jane Campion, Emile Sherman, Tanya Seghatchian, Iain Canning, Roger Frappier
Fotografia: Ari Wegner
Montagem: Peter Sciberras
Trilha Sonora: Jonny Greenwood
Design de Produção: Grant Major
Figurino: Kirsty Cameron
Gênero: Drama
Duraçao: 126 min.
País: Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália, Canadá
Ano de lançamento: 2021
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